Abri a janela devagar, esperando encontrar sabe-se lá o que; nem havia tanto perigo assim, mas seguro morreu de velho. No entanto, ao encostar por fim a aba direita à parede azul do meu quarto, algo pulou na minha direção, e precisei me controlar para não gritar. Ela estava dormindo, ainda. Olhei para trás, para as almofadas amontoadas no tapete no lado oposto ao que eu estava, e aqueles sentimentos reacenderam no instante de um único segundo fugaz. E se estenderam, como eu sabia que se estenderiam. Era assim todas as vezes que eu a olhava. Eu adorava isso. Voltando os olhos para a janela, lembrei-me (acredite, eu havia esquecido) de que algo havia pulado em mim. Levantei-me depressa, sacudindo a camisa (um tanto larga demais, como prefiro) e a almofada na minha cama se mexeu sem nenhum motivo aparente. Devagar, aproximei-me e larguei a mão por baixo e a suspendi de vez. Encolhida num canto, com as asas tremendo e os olhos arregalados, encarava-me uma coruja meio branca, meio caramelo, meio marrom. Com uma cautela maior do que eu estava sentindo no momento, avancei para ela, estendendo a mão. A coruja não recuou; coube na minha palma com um encaixe perfeito. Aproximei-a do rosto e nos encaramos por vários instantes, até que ela piou muito alto e ficou se balançando de um jeito estranho, alegre. Depois, com um segundo pio, se jogou contra o meu pescoço e esfregou várias vezes as penas da cabeça em mim. Um tanto assustado, ainda, cocei sua cabeça de leve e ela beliscou meu dedo. Era uma coruja estranha e sociável demais, eu sei. Dei-lhe um nome que estava guardado no meu bolso. A junção de duas coisas que eu gostava muito. Watowlmelon; Watowl, a chamei.
Antes de Encontrar o Colo
Há 7 meses

