Era uma vez uma casa
que de dia sorria.
Gargalhava e brincava, e
era só alegria.
E a tarde também
a casa Ninguém
vivia a sintonia.
Um sorria pro outro,
e era só alegria.
Surgia uma graça,
vinha então a pirraça,
desabrochava uma valsa,
e era só alegria.
Mas à noite,
a casa,
tão vazia e sem graça,
era vaiada na praça;
o inferno parecia.
Vinha uma nuvem cinzenta,
que de toda tormenta,
nem ao menos aguenta
da casa
a
sintonia.
Essa nuvem trazia,
desde os tempos de cria,
na testa, uma marca:
de amargura sofria.
Amargurada vivia,
e ia cega, vazia,
escurecer a casa,
escurecer meu dia.
E era sempre assim,
sempre assim,
todo dia.
Vivia bem a casa,
mas era só de dia.
