Dez pras onze

Acho que a saudade que eu tenho do ano de dois mil e onze nunca vai ser superada. Nunca, mesmo. Dizer que foi mágico é muito pouco... Extremamente pouco. É uma saudade tão estranha... Tão grande, tão pontuda, tão amarelo-reluzente. Dois mil e onze reluz tanto na minha cabeça... Reluz em formato de túnel. É preto e tem um túnel de raios amarelos, de onde vêm todos os sentimentos possíveis. E é muito confuso. É muito confuso. Mas é bom. Gosto de sentir toda a mistura de lembranças. É excelente. Dá um calorzinho, um pensamento de "Ah, poxa vida", e eu me sinto frágil; tão frágil que me agarro às paredes do túnel, sempre. E essas lembranças vêm e voltam em um mesmo segundo. Não é algo que se estenda por um dia inteiro; não chega a completar dois minutos. Mas é tão forte que, sei lá. Sei lá. Foi um ano de experiências incríveis. Conheci e reconheci um bom número de pessoas impressionantes; impressionantes dos dois extremos. Viajei pra lugares fantásticos e experimentei algo tão novo que me surpreendi com a maneira com que lidei com a situação. Me roubaram um órgão e uns muitos sentimentos e, poxa vida, foi fantástico como não havia sido até então. Em dois mil e onze estão vários dos melhores minutos que eu já vivi. Fui tão feliz e triste, tão responsável e vagabundo. Experimentei o melhor e o pior de cada um com quem estive, e acho que esse seja o ponto principal da beleza que foi aquele ano. Senti tanto cada pessoa que esteve comigo, de uma forma tão natural e simples, que acaba fazendo falta, não sei exatamente o quê. Nunca tinha sido e estado tão vivo. E foi realmente o meu ano, como eu tinha dito no final de dois mil e dez. Dois mil e onze (2011) reorganizado, pode ser 21/01, uma das datas do meu aniversário. E foi... Dois mil e onze foi meu, e eu fui dele, de um jeito que, poxa vida, sei lá.


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