A foda da fada - e a filosofia

Oh, oh,
não pare...
Por favor, repita
Sente aqui, repita,
Não evita,
Oh, doce fada bonita.

Ao meu lado,
então,
de supetão,
vejo um porta sabão
e logo vou com a mão,
desfrutar da textura.

Luxúria;
vê que um pouco não arde,
só não faça um alarde:
A noite cai sobre a tarde!
e em breve eles chegam.

Não grite.
Ou então me irrite:
Vá em frente e agite,
devagar; me permite,
agora, o rumo
tomar?

Atrite.
Vá até a rotunda;
dou até a segunda,
se me der sua palavra.
Profunda;
movimentos assim,
sem limite, outrossim,
dou até no capim
uma boa aparada.

Poda!
Vi daqui uma roda,
uma prova, uma corda,
de que o homem cresceu.
E como!
Como folha e semente,
imagino o seu pente,
pr'estes cachos, domar!

E como.
Como vejo o desejo
deste ensejo.
Trovejo:
A hora está a chegar!

E num insulto,
escuto
um gemido no ar.
Embranqueço a alma,
sinto um espasmo, espanto
de que todo o encanto,
que detinha ao ditar,
esvaiu-se num jato,
de um inebriante fato:

Como discursa bem!

Rapazeando da andorinha


Pelos rumores de canto,
flanco o barranco;
descia ribanceiras,
subia cordilheiras
e o rapaz,
no entanto,
me quebrava os portantos,
enfrentava cantoneiras,
me trazia bananeiras,
e sem variar,
no que te trago do acolá,
balançava esse mulambo,
traduzindo o Seu Fernando,
no que, de rima feia:
"- Vais atrás de uma sereia!,
e a cobre pelo amor."

Minha triste entonação;
capataz sem coração,
me perdoa a tentação
que traz a rima com o ão
e me traz uma andorinha,
sem ter pena da vizinha,
que sem penas, tão sozinha,
ouviu pois a zoadinha,
da triste entonação,
do roubo da andorinha,
que não tinha, coitadinha,
mais palavras pra rimar.