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O título:Sazon - Sazonalidade -> Sazonalidade - Estações do ano -> Estações do ano - Meses.
Neo - Novo.
Literalmente, NOVOS MESES ou NOVAS "ESTAÇÕES DO ANO".
Ok, agora que expliquei o título,
vem o comentário.
[Na segunda vez que o dia 25/02/12 marcou 23:37]
Ora, tem algo errado com o horário oficial... Vamos pensar.
Horário de Verão?
BINGO!
E em que ano estamos? 2012. O que vai rolar de "anormal" nesse ano, além do fim do mundo?
Eleições.
Guarde essa informação.
Ok. Próximo passo: primeira parte do diálogo:
- Olá, querida.
- Olá.
- Hm... O que faz?
- Como?
- O que faz aqui?
- Desculpe, mas conheço você?
- Verdade.
- Conheço?
- Não, não conhece. Se importa?
- De que?
- De responder a pergunta.
Não. Não se conhecem.
Mas poxa, o diálogo é enorme, e é entre desconhecidos!
Tem algo ae, hein...
Ok. Segundo passo: Restante do diálogo.
- Você esta esperando que a páscoa chegue?
- Mas nós ainda estamos no carnaval...
- Pelo visto você não tem checado o relógio.
PONTO. Temos duas informações aqui.
O início do diálogo se dá realmente aqui. É onde começa a crítica.
Observe como eles se referem ao carnaval e à páscoa. Engraçado, né? É.
E o relógio...
O que faz um relógio?
Marca o tempo. Quando você quer saber quando começa ou termina determinada coisa, consulta o relógio. É um "delimitador".
E então vem o que ele diz a seguir:
- Como não? Deixo-o ligado praticamente todo o dia. Não saio de casa sem antes consultar o relógio.
E observe também como ela fala. É um absurdo quando ela cogita que ele não tem consultado o relógio.
E, por fim: o relógio é a televisão.
- Pois saiba que o meu despertador apitou que já entramos na páscoa.
- Cacule comigo, querida. Natal acabou há nove semanas. Como espera que estejamos na páscoa?
E há também aqui o reforço do que eu disse acima. Sobre a relação entre os "feriados" e os "meses".
- Você está surdo? - irritou-se - De onde é o seu relógio?
- E isso realmente importa? Em qualquer lugar do mundo é carnaval. Não vê o que diz o próprio relógio?
- Pelo amor de Deus, homem! Não pense como um ateu!
- Verdade, desculpe.
Não pense como um ateu.
Aqui eu peguei pesado, sim.
Eu quis dizer que ateus pensam. Pensam além dos outros.
Obviamente que eu generalizei, mas o texto é cheio de clichês, então coube.
E nessa sociedade "paralela", ateus são mais "pejorativados" do que são na que vivemos. Pensar, no texto, é absurdo e repulsivo.
- Tudo bem. Mas veja: seu décimo terceiro chegou antes ou depois da última semana de natal, o ano novo?
- Antes. Esqueceu que esse ano o calendário ficou maior?
- Hm... É mesmo! Será que vão apertar São João?
- Não podem fazer isso... Talvez encurtem algum final de semana. Quais são mesmo os que tem em São João?
- Não importa, não é? É pra isso que servem os relógios.
Riram-se.
Duas coisas.
No comentário antes de começar o texto eu faço a referência às eleições.
E aqui eu faço a referência direta a elas. Com outra crítica.
Como é ano de eleições, os políticos obviamente querem deixar a população satisfeita. O décimo terceiro do cara saiu antes do reveillon, pra ele começar o ano com o bolso cheio. Ponto pra politicagem.
A expressão "final de semana" eu usei pra tornar ainda mais banal a crítica do texto, na interpretação dos personagens. "Interpretação", ne.
Final de semana, no texto, é o mesmo que ~feriados~. Uma folga curta, mas é uma folga.
E a última fala desse trecho:
É como se eles se achassem os fodões, entende? "Ah, foda-se. Nós temos o relógio para nos servir. Não precisamos nos preocupar."
- Aiai, querida.
- Que?
- Já parou pra pensar... Para pensar sobre como o ano é curto?
- Deus... Você fala como um ateu!
Ateu, de novo. Ele "parou pra pensar" e foi repudiado.
Riu, sem jeito.
- É que só há, no geral, seis épocas no ano... Nunca pensou sobre isso?
Eu enumerei os mais importantes...
Carnaval, Páscoa, Dia das Mães, São João, Natal e Ano Novo.
Para o comércio.
- Vim chamar um técnico. Meu despertador está com problemas.
- Que problemas?
- Ora, que tipo de problemas pode ter um despertador? Não está mais despertando, né?
Aqui tem agumas coisas...
O despertador é a internet. Quando ele pergunta "que tipo de problema" e ela diz "MAS SEU LERDO, QUAL OUTRO TIPO DE PROBLEMA PODE TER UM DESPERTADOR?", é como se estivesse dizendo "Observe: já que só tem uma função, QUAL OUTRO TIPO DE PROBLEMA pode ter, se não há funções além dessa?". A função é servir de apoio ao relógio.
- Nossa! Como isso aconteceu?
- Meu filho estava mexendo nele um dia. Depois disso, ele veio me fazendo umas perguntas. Também, né: perguntas... Então meu despertador começou a trabalhar ao contrário.
- Mas...
- Que?
Ok. Ela diz que o filho estava mexendo no despertador. Assim como no relógio, que o cara deixa ligado, tem algo errado ai. É só pra dizer que não é despertador no sentido denotativo da palavra.
Eae ela diz novamente o significado que pensar, perguntar, questionar e derivados, têm para a sociedade do texto.
E ae também tem que "Olha, há esperança". Dá pra ver que o cara o tempo todo dá sinais de que tem alguma coisa ali errada, mas que ele é obrigado a não ver o que é, porque a correnteza é mais forte.
(E um detalhe. A única coisa não proposital nesse texto foi a escolha dos sexos. Eu só determinei homem e mulher pra equilibrar e não ficar o peso todo só para homens ou só para mulheres. E o cara ter sido o "que pensa" também não foi intencional. As ordens surgiram com a linearidade do diálogo.)
- Esquece. E então achou o técnico?
- Ah, claro que sim! Esta central que regula relógios e despertadores é excelente!
- Não...
- Não o que? - exasperou-se.
- Não vejo problemas com ela. E é realmente muito boa.
Essa é a minha parte preferida, e a que eu considero igualmente a mais fácil e a mais difícil de interpretar.
Se ligue.
"Esta central que regula relógios e despertadores".
Relógios e despertadores = televisão e internet. Mídias sociais.
É dito, debatido e escutado que elas são controladas por uma minoria, certo? A prestatividade que o técnico mostra em consertar o despertador dela é como se fosse uma prevenção contra possibilidade de ela deixar de ser controlada.
E em seguida:
"É realmente muito boa."
- Não...
- Não o que? - exasperou-se.
- Não vejo problemas com ela. E é realmente muito boa.
Agora a gente para.
Viaje comigo.
Eu cito o 'controle de mentes' que há através de uma minoria. Ponto.
Quando eu digo que "é realmente muito boa.", eu estou dando os dois sentidos a essa afirmação.
O primeiro, é, de acordo com a sequência do diálogo, que o método de controle é eficaz, o que é observável.
E o segundo sentido é o contraponto dessa ideia, em relação às três linhas seguintes. Eu afirmo que isso é eficaz, mas em seguida eu NEGO que seja BOA (no sentido de bem/mal).
O cara poderia ter dito logo que não vê problemas com ela. Mas observe:
- Não.
- Não.
- Não.
As três linhas seguintes começam com uma negação, como se estivessem negando o que eu disse.
E no meio disso ainda tem o reforço. A mulher fica doida quando ACHA que o cara vai falar mal da central. Ela tá alienadíssima.
Então o sentido do texto volta ao original. O cara diz que a central é realmente boa (eficaz).
Isso remete também ao lado "ateu" do cara, no sentido da palavra no texto. Ele pensa em ir, mas é obrigado a voltar o tempo todo.
- Sem dúvida. Agora se não se importa, tenho que ir.
- Oh! Tudo bem.
- Preciso fazer as compras do mês. Agora que passou o carnaval e meu guarda roupas já está com as camisas usadas, chegou a hora dos chocolates. - sorriu.
"Preciso fazer as compras do mês." Reforço do título. E ela se refere, novamente, aos feriados como se fossem épocas "oficiais" do ano.
Camisas usadas = abadás.
Agora que ela já comprou os abadás, chegou a hora de gastar dinheiro com os chocolates.
Comércio, comércio, comércio, comércio.
O tempo todo no texto.
"Sorriu." Ela não se importa com isso.
- Uhum! Farei o mesmo, em breve. Boa sorte com o despertador.
- Obrigada. Até mais.
- Até.
Ele diz que vai fazer o mesmo ~em breve~ porque, você lembra, no início do texto eles discutem sobre estar ou não no carnaval.
Ele não deu o braço a torcer. Ainda acha que estão no carnaval, por isso não a acompanha para as compras do chocolate. Pra ele, ainda não chegou o tempo.
E o final do texto é só um reflexo do vazio que há na cabeça deles. Os dois são absurdamente superficiais.
FIM
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Sim, eu viajo desse jeito. Estranho, né?
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